Rabiscos aleatórios do sketchbook que acabou de acabar…
Archive for June, 2009
Este é um case que está desde o começo do ano no site mas só agora me ocorreu comentar aqui no blog. A loja Gamers foi um dos primeiros projetos de e-commerce com os quais trabalhamos aqui e com o qual aprendemos muito, muito mesmo. Assim como o portal Adrenaline, foi um projeto no qual participei como duas entidades diferentes: primeiro como arquiteto de informação, depois como designer. Há, sem dúvida, muitos, muitos pontos de tangência entre as duas tarefas e no final das contas é por assumir os dois papéis dentro de um mesmo projeto que acho que faz mais sentido me dizer “designer de interação” do que “web-designer” — particularmente gosto menos ainda do jargão publicitário que diz “diretor de arte online”. Mas é o mercado para o qual trabalho, então por isso não fico me atendo muito à eterna rusga designers X publicitários.
O processo então está descrito mais legal lá no case, dêem uma olhada. Uma pena que por alguma decisão executiva da matriz mexicana, aparentemente voltaram atrás com as estratégias online e resolveram focar apenas nas lojas físicas. O site ficou no ar por pouquíssimo tempo, insuficiente (acredito) para avaliar o êxito comercial dele. Uma pena mesmo.

Tremendo documentário bacana de ser visto. Pena que já está saindo de cartaz. Então quem não viu corre essa semana no Unibanco ali da Augusta ou espera sair em DVD. Mas o importante é dar um jeito de ver esse filme. Para mim, que nasci depois do “exílio” do Simonal, foi bem f&#a perceber o como a história é realmente escrita pelos vencedores. Este filme de um certo modo me deu a mesma sensação de quando li o livro “Corações Sujos” do Fernando Morais, uma sensação de “Como é que eu nunca ouvi falar de uma coisa tão importante dessas, meu Deus!!?!?”. Me senti um ignorante. Conhecia o Simonal apenas de nome e sempre imaginei que ele tivesse se aposentado, sei lá, não sido relegado ao ostracismo dessa maneira. Impressionate.
De tal maneira que vale demais a pena ver este filme para saber um pouco mais dessa figura tão interessante e injustamente esquecida. Para saber na verdade um pouco mais sobre a história da nossa música. Porque ficam as perguntas ecoando na cabeça: ninguém erra? Todos os artistas da época eram heróis revolucionários? Nenhum desses caras idolatrados até hoje nunca fez uma cagada na vida? Todos puros, augustos, santos? — Pouco importa, cazzo! As escolhas e convicções pessoais de uma pessoa não deveriam custar o preço de uma figura tão importante ser excluída desse jeito da cultura popular. O cara era demais! Divertido, muito bom no que fazia, soube ser pop fazendo música boa, tremendo cantor… puta sacagem ter terminado assim, puta sacanagem…
Quem não foi ainda tem um mês para tomar vergonha na cara. Sem frescura nem babação de ovo, vamos direto ao ponto: Por que acho importante conhecer o trabalho desse cara? Porque esse lance de explorar materiais e a relação entre artista-obra-conceito-materiais- espectador-e-vice-versa é realmente du^%$lho. O que ele propõe constantemente para nós é olhar as coisas com outros olhos.
Gosto muito do que ele diz em um vídeo que passa lá na exposição, onde explica que está em busca de “maus atores”, de materiais que mostrem a figura, mas não sejam convincentes como uma foto ou uma tela realista. Materiais que ainda apareçam como são em estado bruto (e a pesquisa vai longe, é arame, linha, algodão, sujeira, entulho, brinquedos) e que criem essa relação ambígua onde, num momento você se deixa levar e vê o desenho, mas no seguinte cai em si e volta a perceber que é um monte de objetos — sem nunca apreender as duas percepções simultaneamente.
Entretanto, acho que poderia dizer que o que mais gostei, o que me chapou de verdade, foi essa frase muito f%da que (excerto do livro Reflex) que diz de um jeito “artístico” — por assim dizer — uma coisa na qual acredito muito:
Poder-se-ia imaginar que um artista com tempo de sobra tenha o dobro de boas idéias que outro ocupado em esculpir um bloco de granito. No entanto, infelizmente, o cérebro não colhe idéias no canteiro do ócio.É sobretudo pela interação com o material, pelo trabalho, pelo esforço e, em última instância, pelo fracasso, que nós nutrimos nosso banco de idéias.
Demais, né? Então cola lá antes que vá embora, cazzo…!
Veja só que coisa. Vacilei de cá e esqueci de renovar o domínio waggastudio.com. Renovei apenas a hospedagem mas esqueci o cazzo do registro. Até aí tudo bem, é bem verdade que nem o Fabio ou eu estávamos usando isto aqui decentemente. Pois não é que quando fomos retomar o uso do site descobrimos que um gringo fil%$#duma%$#ta, desocupado, sem costume, “sequestrou” nosso site? O sujeito não apenas registrou o domínio na nossa frente, como criou uma réplica do site e lá deixou.
Talvez, não sei, a expectativa do babaca mau caráter fosse que entrássemos em desespero, algo tipo “por favor, devolva meu site!” assim ele pode bancar o vilão e dizer “me pague 1 milhão de dolares ou nunca mais poderá atualizar seu site, seus leitores vão te abandonar, seu pagerank vai cair e eu vou dominar o mundo!!! mwahahahaha”…tsc tsc… que tosco!
Talvez nosso pagerank estivesse bom, talvez o conteúdo eventualmente seja relevante, vai saber. De tal maneira que deva ser uma turma que fica realmente com essa mentalidade caça-níquel esperando extorquir um dinheirinho de incautos como eu, e nem saiba do que se trata o blog…
Mas, enfim, quando a vida te dá um limão, faça laranjada, então esta foi a oportunidade para tomar vergonha e retomar o blog decentemente, num novo endereço. Há ainda alguns links de imagens quebrados, não está tudo 100%. Mas o pior — que foi recuperar o banco de dados e configurar a bagaça toda no endereço novo — já passou. Então, se você caiu aqui por acaso, bem-vindo!


Eduardo Marques Tanaka





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