Archive for August, 2009

Future Group

www.futuregroup.com.br
job: coord. projeto | webdesign
cliente: Future Group
ano: 2009 @ Goblin Studio

Este foi um projeto meio pauleira. Algo em torno de quatro semanas entre a primeira reunião e o site no ar. E justamente pelo tempo apertado, organização e método foram essenciais para chegar no resultado final com qualidade e dentro do prazo.

Outro ponto positivo neste caso é que tivemos bastante autonomia da Future Group. Fizemos os ciclos de aprovação (mapas, wireframes, layouts estáticos, animações, etc) no tempo certo, com iterações dentro de um limite bem razoável a quase nenhuma refação.

Durante as duas semanas do desenvolvimento o Allan deu um gás forte trabalhando como freela alocado aqui conosco e a entrega final ficou muito boa. O site está leve, funcional e completamente dinâmico — conteúdo, itens de interface, settings, background, tudo… o resultado final então de planejamento-design-desenvolvimento foi bem redondo.

Então é isso. Visitem aqui, visitem lá, comentem e até a próxima. :)

Os Versos Satânicos

Olhando postagens antigas onde eu falo de “Shalimar, o equilibrista”, percebi há quanto tempo eu estava na saga atrás deste livro. É verdade que não era uma busca exatamente com “aquele” afinco, mas sempre que eu colava em alguma livraria eu dava uma olhada para ver se achava “Os Versos Satânicos“. E mais tempo ainda eu levei para terminar de ler. Chegou um ponto ali pela metade que a história embarrigou, deixei ele de lado várias semanas, enfim, custou mas acabou.

E o fato de ter “custado” tanto não quer dizer de modo algum que o livro seja ruim. Pelo contrário. Eu vinha há anos curioso em ler esta bagaça porque de um certo modo ele faz parte do meu imaginário desde que tinha, sei lá, uns 10 anos de idade. Quem já se entendia por gente na época da guerra fria sabe essa sensação de que todas as notícias internacionais pareciam que iam anunciar o fim do mundo — mesmo que “o mundo” também parecesse que era “lá lonjão”.

O fato é que eu lembro bem de ouvir falar que o Aiatolá Khomeini — lembram dele? :) o Aiatolá, o Reagan e o Gorbachev eram muito pops na época — tinha condenado o autor deste livro (que na época eu nem fazia idéia de quem fosse) à morte, que o cara vivia escondido, que tudo isso tinha provocado a fúria de islâmicos pelo mundo todo. Tudo isso me chamou muito a atenção naquele tempo. E, porra, fora que esse nome é muito, muito forte, né? Imagina: “Os Versos Satânicos” + polêmica com o Islã. Isso evoca imagens de gente morrendo e matando em nome de Deus, de crises políticas, de bombardeios e nuvens de gafanhotos.

De tal maneira que este é o fim do mito. Hoje, vivendo um contexto político completamente diferente e, acima de tudo, numa época em que parece que “tudo pode”, a história não choca. Pelo contrário, acho que eu levei tempo para calibrar a cabeça, para perceber que o autor não pretendia escrever um panfleto político nem ficar discutindo nada à luz a realidade dos fatos do jornal, mas contar uma história, uma boa história, cheia de alegorias picantes e, sim, através desta história expor seus pontos de vista ideológicos.

Achei (e isto é uma opinião mesmo, gosto de ler e de opinar mas não sou um cara da literatura) só que falta um pouco de cola na história. O cara conta tantas, mas tantas histórias entrecruzadas que chega um ponto em que você curte cada uma das narrativas mas meio que fica incomodado por não conseguir saber o que esperar daquilo ou se a coisa vai chegar a algum lugar. E, realmente, não percebi um lastro no lance, um “projeto” de sair do ponto A e levar ao ponto B. O cara vai fluindo e a gente fruindo por um emaranhado de imagens e personagens, cada um com uma história e objetivos diferentes e com pontos de tangência que tem que ficar bem esperto pra sacar senão perde o fio da meada mesmo (ou não, pode ser que seja fácil e eu que sou meio tonto mesmo).

Corta a enrolação pelamordedeus: Do que fala o livro?
Dois indianos estão a caminho de Londres, o avião deles é sequestrado e explode. Apenas os dois sobrevivem mas algo nesta experiência muda os dois. Gibreel Farishta, um ator de Bollywood famoso por interpretar deidades Hindus desenvolve um halo e Saladim Chamcha, um dublador (que vive em Londres e sofre uma espécie de vergonha-negação de suas origens indianas) conhecido por fazer mil vozes na televisão inglesa mas sem nunca mostrar o rosto, desenvolve cascos de bode e chifres. A partir disto, a história dos dois é re-encontrar seu lugar no mundo e entender-resolver essa mudança que os transformou respectivamente em um anjo e um demônio. Assim como em Shalimar, o limite entre fantasia e realidade não é de forma algum claro e entrar na brincadeira do autor é o que faz todo o barato da leitura.

Então, na boa, esquece o Aiatolá, desencana do Islã. É uma história boa — maluca, quebrada, confusa, sim, mas muito boa — sobre dois caras cujas vidas se trombam em um momento completamente atribulado e, deste encontro, as coisas só complicam mais. Sobre dois caras que não entendem o lugar deles no mundo e, muito aos trancos e barrancos, se vêem amarrados e quase que obrigados e descobrir isto juntos. Vale a pena pracaralho. Manda bala, toma vergonha e leia.