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Hellboy no vermelho

Finalmente estreei o caderno de páginas coloridas que eu ganhei da patroa no meu último aniversário. Havia um bom tempo que eu não desenhava em papel colorido. Muito divertido. Quatro anos de casado e ela ainda sabe me dar uns presentes foda. :)

Future Group

www.futuregroup.com.br
job: coord. projeto | webdesign
cliente: Future Group
ano: 2009 @ Goblin Studio

Este foi um projeto meio pauleira. Algo em torno de quatro semanas entre a primeira reunião e o site no ar. E justamente pelo tempo apertado, organização e método foram essenciais para chegar no resultado final com qualidade e dentro do prazo.

Outro ponto positivo neste caso é que tivemos bastante autonomia da Future Group. Fizemos os ciclos de aprovação (mapas, wireframes, layouts estáticos, animações, etc) no tempo certo, com iterações dentro de um limite bem razoável a quase nenhuma refação.

Durante as duas semanas do desenvolvimento o Allan deu um gás forte trabalhando como freela alocado aqui conosco e a entrega final ficou muito boa. O site está leve, funcional e completamente dinâmico — conteúdo, itens de interface, settings, background, tudo… o resultado final então de planejamento-design-desenvolvimento foi bem redondo.

Então é isso. Visitem aqui, visitem lá, comentem e até a próxima. :)

Os Versos Satânicos

Olhando postagens antigas onde eu falo de “Shalimar, o equilibrista”, percebi há quanto tempo eu estava na saga atrás deste livro. É verdade que não era uma busca exatamente com “aquele” afinco, mas sempre que eu colava em alguma livraria eu dava uma olhada para ver se achava “Os Versos Satânicos“. E mais tempo ainda eu levei para terminar de ler. Chegou um ponto ali pela metade que a história embarrigou, deixei ele de lado várias semanas, enfim, custou mas acabou.

E o fato de ter “custado” tanto não quer dizer de modo algum que o livro seja ruim. Pelo contrário. Eu vinha há anos curioso em ler esta bagaça porque de um certo modo ele faz parte do meu imaginário desde que tinha, sei lá, uns 10 anos de idade. Quem já se entendia por gente na época da guerra fria sabe essa sensação de que todas as notícias internacionais pareciam que iam anunciar o fim do mundo — mesmo que “o mundo” também parecesse que era “lá lonjão”.

O fato é que eu lembro bem de ouvir falar que o Aiatolá Khomeini — lembram dele? :) o Aiatolá, o Reagan e o Gorbachev eram muito pops na época — tinha condenado o autor deste livro (que na época eu nem fazia idéia de quem fosse) à morte, que o cara vivia escondido, que tudo isso tinha provocado a fúria de islâmicos pelo mundo todo. Tudo isso me chamou muito a atenção naquele tempo. E, porra, fora que esse nome é muito, muito forte, né? Imagina: “Os Versos Satânicos” + polêmica com o Islã. Isso evoca imagens de gente morrendo e matando em nome de Deus, de crises políticas, de bombardeios e nuvens de gafanhotos.

De tal maneira que este é o fim do mito. Hoje, vivendo um contexto político completamente diferente e, acima de tudo, numa época em que parece que “tudo pode”, a história não choca. Pelo contrário, acho que eu levei tempo para calibrar a cabeça, para perceber que o autor não pretendia escrever um panfleto político nem ficar discutindo nada à luz a realidade dos fatos do jornal, mas contar uma história, uma boa história, cheia de alegorias picantes e, sim, através desta história expor seus pontos de vista ideológicos.

Achei (e isto é uma opinião mesmo, gosto de ler e de opinar mas não sou um cara da literatura) só que falta um pouco de cola na história. O cara conta tantas, mas tantas histórias entrecruzadas que chega um ponto em que você curte cada uma das narrativas mas meio que fica incomodado por não conseguir saber o que esperar daquilo ou se a coisa vai chegar a algum lugar. E, realmente, não percebi um lastro no lance, um “projeto” de sair do ponto A e levar ao ponto B. O cara vai fluindo e a gente fruindo por um emaranhado de imagens e personagens, cada um com uma história e objetivos diferentes e com pontos de tangência que tem que ficar bem esperto pra sacar senão perde o fio da meada mesmo (ou não, pode ser que seja fácil e eu que sou meio tonto mesmo).

Corta a enrolação pelamordedeus: Do que fala o livro?
Dois indianos estão a caminho de Londres, o avião deles é sequestrado e explode. Apenas os dois sobrevivem mas algo nesta experiência muda os dois. Gibreel Farishta, um ator de Bollywood famoso por interpretar deidades Hindus desenvolve um halo e Saladim Chamcha, um dublador (que vive em Londres e sofre uma espécie de vergonha-negação de suas origens indianas) conhecido por fazer mil vozes na televisão inglesa mas sem nunca mostrar o rosto, desenvolve cascos de bode e chifres. A partir disto, a história dos dois é re-encontrar seu lugar no mundo e entender-resolver essa mudança que os transformou respectivamente em um anjo e um demônio. Assim como em Shalimar, o limite entre fantasia e realidade não é de forma algum claro e entrar na brincadeira do autor é o que faz todo o barato da leitura.

Então, na boa, esquece o Aiatolá, desencana do Islã. É uma história boa — maluca, quebrada, confusa, sim, mas muito boa — sobre dois caras cujas vidas se trombam em um momento completamente atribulado e, deste encontro, as coisas só complicam mais. Sobre dois caras que não entendem o lugar deles no mundo e, muito aos trancos e barrancos, se vêem amarrados e quase que obrigados e descobrir isto juntos. Vale a pena pracaralho. Manda bala, toma vergonha e leia.

Goblin cases: GTA IV

goblin.com.br/cases/gtaiv

Este é outro case que está no ar no site da Goblin desde o começo do ano, mas que acho que vale a pena recordar aqui. Colocamos no ar o site GTA IV no ano passado e ainda é um dos projetos públicos mais interessantes nos quais trabalhamos e no qual pudemos explorar recursos, ferramentas, técnicas e idéias ao máximo. Digo que é um dos mais porque, de um certo modo, ele nos deu a moral de provar nosso know-how, e de lá pra cá trabalhamos em diversos projetos tão ou mais sofisticados do que este com agências de propaganda grandes, muitos dos quais não coloquei aqui no portfolio porque nossa participação foi específica em resolver determinado aspecto do projeto e porque muitas vezes por questões de contrato não podíamos publicar muito sobre o projeto.

Costumamos brincar aqui que nos tornamos o “cleaner” do Pulp Fiction. Então, além dos nossos projetos, temos sido muito chamados para resolver pepinos para estas agências maiores. O que é bom, oferecemos aquilo no qual somos bons e a cada novo projeto nos deparamos com desafios mais cabeludos que vão afinando mais ainda nossas habilidades de cá.

Para aqueles que caem de pára-quedas por aqui de vez em quando, fiquem por perto. Tem pelo menos um projeto muito, muito bacana que está no forno, em breve novidades!

Rabiscos Aleatórios

Rabiscos aleatórios do sketchbook que acabou de acabar…

Goblin cases: Gamers

goblin.com.br/cases/gamers

Este é um case que está desde o começo do ano no site mas só agora me ocorreu comentar aqui no blog. A loja Gamers foi um dos primeiros projetos de e-commerce com os quais trabalhamos aqui e com o qual aprendemos muito, muito mesmo. Assim como o portal Adrenaline, foi um projeto no qual participei como duas entidades diferentes: primeiro como arquiteto de informação, depois como designer. Há, sem dúvida, muitos, muitos pontos de tangência entre as duas tarefas e no final das contas é por assumir os dois papéis dentro de um mesmo projeto que acho que faz mais sentido me dizer “designer de interação” do que “web-designer” — particularmente gosto menos ainda do jargão publicitário que diz “diretor de arte online”. Mas é o mercado para o qual trabalho, então por isso não fico me atendo muito à eterna rusga designers X publicitários. :)

O processo então está descrito mais legal lá no case, dêem uma olhada. Uma pena que por alguma decisão executiva da matriz mexicana, aparentemente voltaram atrás com as estratégias online e resolveram focar apenas nas lojas físicas. O site ficou no ar por pouquíssimo tempo, insuficiente (acredito) para avaliar o êxito comercial dele. Uma pena mesmo.

Ninguém sabe o duro que ele deu

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Tremendo documentário bacana de ser visto. Pena que já está saindo de cartaz. Então quem não viu corre essa semana no Unibanco ali da Augusta ou espera sair em DVD. Mas o importante é dar um jeito de ver esse filme. Para mim, que nasci depois do “exílio” do Simonal, foi bem f&#a perceber o como a história é realmente escrita pelos vencedores. Este filme de um certo modo me deu a mesma sensação de quando li o livro “Corações Sujos” do Fernando Morais, uma sensação de “Como é que eu nunca ouvi falar de uma coisa tão importante dessas, meu Deus!!?!?”. Me senti um ignorante. Conhecia o Simonal apenas de nome e sempre imaginei que ele tivesse se aposentado, sei lá, não sido relegado ao ostracismo dessa maneira. Impressionate.

De tal maneira que vale demais a pena ver este filme para saber um pouco mais dessa figura tão interessante e injustamente esquecida. Para saber na verdade um pouco mais sobre a história da nossa música. Porque ficam as perguntas ecoando na cabeça: ninguém erra? Todos os artistas da época eram heróis revolucionários? Nenhum desses caras idolatrados até hoje nunca fez uma cagada na vida? Todos puros, augustos, santos? — Pouco importa, cazzo! As escolhas e convicções pessoais de uma pessoa não deveriam custar o preço de uma figura tão importante ser excluída desse jeito da cultura popular. O cara era demais! Divertido, muito bom no que fazia, soube ser pop fazendo música boa, tremendo cantor… puta sacagem ter terminado assim, puta sacanagem…

Vik Muniz no Masp

Quem não foi ainda tem um mês para tomar vergonha na cara. Sem frescura nem babação de ovo, vamos direto ao ponto:  Por que acho importante conhecer o trabalho desse cara? Porque esse lance de explorar materiais e a relação entre artista-obra-conceito-materiais- espectador-e-vice-versa é realmente du^%$lho. O que ele propõe constantemente para nós é olhar as coisas com outros olhos.

Gosto muito do que ele diz em um vídeo que passa lá na exposição, onde explica que está em busca de “maus atores”, de materiais que mostrem a figura, mas não sejam convincentes como uma foto ou uma tela realista. Materiais que ainda apareçam como são em estado bruto (e a pesquisa vai longe, é arame, linha, algodão, sujeira, entulho, brinquedos) e que criem essa relação ambígua onde, num momento você se deixa levar e vê o desenho, mas no seguinte cai em si e volta a perceber que é um monte de objetos — sem nunca apreender as duas percepções simultaneamente.

Entretanto, acho que poderia dizer que o que mais gostei, o que me chapou de verdade, foi essa frase muito f%da que (excerto do livro Reflex) que diz de um jeito “artístico” — por assim dizer — uma coisa na qual acredito muito:

Poder-se-ia imaginar que um artista com tempo de sobra tenha o dobro de boas idéias que outro ocupado em esculpir um bloco de granito. No entanto, infelizmente, o cérebro não colhe idéias no canteiro do ócio.É sobretudo pela interação com o material, pelo trabalho, pelo esforço e, em última instância, pelo fracasso, que nós nutrimos nosso banco de idéias.

Demais, né? Então cola lá antes que vá embora, cazzo…! ;)