Archive for the 'para ler' Category

Os Versos Satânicos

Olhando postagens antigas onde eu falo de “Shalimar, o equilibrista”, percebi há quanto tempo eu estava na saga atrás deste livro. É verdade que não era uma busca exatamente com “aquele” afinco, mas sempre que eu colava em alguma livraria eu dava uma olhada para ver se achava “Os Versos Satânicos“. E mais tempo ainda eu levei para terminar de ler. Chegou um ponto ali pela metade que a história embarrigou, deixei ele de lado várias semanas, enfim, custou mas acabou.

E o fato de ter “custado” tanto não quer dizer de modo algum que o livro seja ruim. Pelo contrário. Eu vinha há anos curioso em ler esta bagaça porque de um certo modo ele faz parte do meu imaginário desde que tinha, sei lá, uns 10 anos de idade. Quem já se entendia por gente na época da guerra fria sabe essa sensação de que todas as notícias internacionais pareciam que iam anunciar o fim do mundo — mesmo que “o mundo” também parecesse que era “lá lonjão”.

O fato é que eu lembro bem de ouvir falar que o Aiatolá Khomeini — lembram dele? :) o Aiatolá, o Reagan e o Gorbachev eram muito pops na época — tinha condenado o autor deste livro (que na época eu nem fazia idéia de quem fosse) à morte, que o cara vivia escondido, que tudo isso tinha provocado a fúria de islâmicos pelo mundo todo. Tudo isso me chamou muito a atenção naquele tempo. E, porra, fora que esse nome é muito, muito forte, né? Imagina: “Os Versos Satânicos” + polêmica com o Islã. Isso evoca imagens de gente morrendo e matando em nome de Deus, de crises políticas, de bombardeios e nuvens de gafanhotos.

De tal maneira que este é o fim do mito. Hoje, vivendo um contexto político completamente diferente e, acima de tudo, numa época em que parece que “tudo pode”, a história não choca. Pelo contrário, acho que eu levei tempo para calibrar a cabeça, para perceber que o autor não pretendia escrever um panfleto político nem ficar discutindo nada à luz a realidade dos fatos do jornal, mas contar uma história, uma boa história, cheia de alegorias picantes e, sim, através desta história expor seus pontos de vista ideológicos.

Achei (e isto é uma opinião mesmo, gosto de ler e de opinar mas não sou um cara da literatura) só que falta um pouco de cola na história. O cara conta tantas, mas tantas histórias entrecruzadas que chega um ponto em que você curte cada uma das narrativas mas meio que fica incomodado por não conseguir saber o que esperar daquilo ou se a coisa vai chegar a algum lugar. E, realmente, não percebi um lastro no lance, um “projeto” de sair do ponto A e levar ao ponto B. O cara vai fluindo e a gente fruindo por um emaranhado de imagens e personagens, cada um com uma história e objetivos diferentes e com pontos de tangência que tem que ficar bem esperto pra sacar senão perde o fio da meada mesmo (ou não, pode ser que seja fácil e eu que sou meio tonto mesmo).

Corta a enrolação pelamordedeus: Do que fala o livro?
Dois indianos estão a caminho de Londres, o avião deles é sequestrado e explode. Apenas os dois sobrevivem mas algo nesta experiência muda os dois. Gibreel Farishta, um ator de Bollywood famoso por interpretar deidades Hindus desenvolve um halo e Saladim Chamcha, um dublador (que vive em Londres e sofre uma espécie de vergonha-negação de suas origens indianas) conhecido por fazer mil vozes na televisão inglesa mas sem nunca mostrar o rosto, desenvolve cascos de bode e chifres. A partir disto, a história dos dois é re-encontrar seu lugar no mundo e entender-resolver essa mudança que os transformou respectivamente em um anjo e um demônio. Assim como em Shalimar, o limite entre fantasia e realidade não é de forma algum claro e entrar na brincadeira do autor é o que faz todo o barato da leitura.

Então, na boa, esquece o Aiatolá, desencana do Islã. É uma história boa — maluca, quebrada, confusa, sim, mas muito boa — sobre dois caras cujas vidas se trombam em um momento completamente atribulado e, deste encontro, as coisas só complicam mais. Sobre dois caras que não entendem o lugar deles no mundo e, muito aos trancos e barrancos, se vêem amarrados e quase que obrigados e descobrir isto juntos. Vale a pena pracaralho. Manda bala, toma vergonha e leia.

O Pêndulo de Foucault

O Pendulo de FoucaultTerminei de ler a bagaça esses dias.
Acho que posso dizer que eu sou um fã do Umberto Eco, de verdade.

Não diria que o Pêndulo de Foucalt é o melhor livro que eu já li. Mas certamente ocupa seu lugarzinho de honra na lista. Muito mais do que a história em si, foram as discussões que ele propõe que me faziam entrar na conversa tipo “ca%$#lho, é isso mesmo! Isso é uma papagaida, umberto, boa!” ou “p#&&a! olha isso que legal!” — porque ele discute justamente esse lance da mistificação, do sobrenatural, do “esotérico”, “conspiratório” e eu arriscaria dizer que inclusive a “auto-ajuda” como um tremendo ouro de tolo.

O enredo, muito resumidamente: Três funcionários de uma editora de livros ditos “herméticos” resolvem juntar numa panela só todas as bobagens que publicam e criar uma teoria nova, única e que reúna tudo o que eles estão cansados de ler: templários, sociedades secretas, linhas de energia, segredos das pirâmides, horóscopo e o diabo. O problema é que algumas pessoas começam a achar que a teoria deles e séria e, num certo momento, eles mesmos começam a se deixar dominar pelo monstro de frankenstein que criam. Bem legal.

Veio bem a calhar ler este livro nestes tempos de “O Segredo” e bobageiras do tipo. Mas, honestamente, o mais importante não é isso. O importante aqui são as idéias que ele trabalha a maneira como ele constrói essa discussão, a partir de digressões dentro de digressões e inserindo textos dos personagens dentro de seu próprio texto. Não sou um cara da literatura, não sei se isso é “legal” mesmo, mas eu achei bem bacana.

Só fiquei meio cabreiro conforme o livro foi acabando. Me parece que ao invés de levar o quebra-pau a cabo, preferiu optar por uma solução de consenso. Me desagradou o final, mas sem com isso diminuir meu gosto pelo começo e o meio…

Das coisas que eu li dele ainda prefiro “A Ilha do Dia Anterior” (doido, bem doido!)… e antes de ler “O Nome da Rosa” vou terminar de ler “A Obra Aberta” — o qual por sua vez comecei a ler umas vinte vezes. Não engrenei na idéia ainda, mas sei que ali tem coisa boa e que eu preciso entender o lance.

Por fim, falando sobre teorias malucas e outras coisas, achei ótimo que ele disse nesta entrevista pro NY Times:

I am wondering if you read Dan Brown’s “Da Vinci Code,” which some critics see as the pop version of your “Name of the Rose.” I was obliged to read it because everybody was asking me about it. My answer is that Dan Brown is one of the characters in my novel, “Foucault’s Pendulum,” which is about people who start believing in occult stuff.

But you yourself seem interested in the kabbalah, alchemy and other occult practices explored in the novel. No, in “Foucault’s Pendulum” I wrote the grotesque representation of these kind of people. So Dan Brown is one of my creatures.

Maroto, não?

rinosoro anti-sono?

wired : “Snorting a Brain Chemical Could Replace Sleep”

Essa eu realmente vou acompanhar de perto pra ver que caminho toma, se é um negócio real ou marmota. Ok, a pesquisa é sobre tratamento para narcolepsia, não para um bando de retardados estriquinados se empolgarem. Mas, cara, poder se livrar de dormir de vez em quando até que não seria mal… me pouparia o pior dos esforços que é conseguir acordar depois de pegar no sono.

oSkope

oskopeTá aqui um negócio simples e bem interessante na linha do nosso amigo Snap, só que mais específico, já que mastiga e devolve resultados de buscadores que já entregam resultados (na maior parte dos casos) essencialmente visuais, não apenas referência texto.
Muito bacana como proposta de interface, vale a pena fuçar nas opções de visualização para estabelecer diferentes relações entre os resultados da busca… Divertido como entretenimento e interessante como ferramenta. Não sei bem se tem aplicação prática cotidiana “de verdade”, mas gostei da idéia. Acho que dá margem para pensar em outros jeitos simples e interessantes de acessar conteúdos que não seja pelo hipertexto “clássico”, por assim dizer…

Manda bala: oskope.com

O Poderoso Chefão

mario puzo's The GodfatherTerminei de ler. E vou dizer que ler o livro não só potencializou a experiência de ver o filme como me fez respeitar mais ainda o senhor Coppola. Gostei das escolhas que ele fez pro filme, como separou e remontou a história para dividir entre os dois primeiros filmes e as partes que omitiu ou modificou não prejudicam em nada a história, mas adequam muito bem para as coisas que um filme não permite desenvolver mas que cabem perfeitamente em um livro.

Quando à história (agora completa) o Mario Puzo matou a pau. Tudo ali, valores, família, personagens profundos, muitos matizes e especialmente muita brutalidade. É uma visão romântica do lance, é claro que se formos pegar só a parte documental desse lance de máfia a conversa fica complicada, crime, politicagem, corrupção e violência só soam bem em filme de máfia e clipe de rap mesmo. De todo modo, abstraindo-nos das implicações sócio-políticas da cosa nostra, trata-se de um romance ducaralho. Tá na disputa acirrada para o cargo de “melhor livro que eu já li na vida”…

Omerta é bom e conserva os dentes.

Alberto Dines

dinesDe vez em quando leio o Observatório da Imprensa, e algumas vezes consegui assistir à versão televisiva do programa. Quase sempre que eu leio (como este artigo de ontem) o que este cara escreve eu penso “Porra, agora o cidadão enxergou uma verdade”. Quisera eu amadurecer e chegar lá com o bom senso, a clareza de pensamento e o pé esquerdo deste senhor…

;)

Introdução à Geometria Sagrada

spiralIntrodução à Geometria Sagrada
curso de 8 aulas, de 09 de agosto a 27 de setembro
Quintas-feiras, das 19h30 às 21h30
2 parcelas de R$ 180,00

Conteúdo por aula:
Apresentação do curso; A Década Pitagórica
O Ato Primordial: A Divisão da Unidade; O quadrado cortado pela diagonal (raiz de 2)
A raiz de 3 e a Vesica Piscis
A raiz de 5 – Proporção e Secção Áurea
A Geometria Sagrada das Catedrais; A Quadratura do Círculo
Mediação: A Geometria torna-se Música
Expansão Gnomônica e a Criação de Espirais
A Gênese dos Volumes Cósmicos; Os sólidos Platônicos

Metodologia:
Parte expositiva – projeção multimídia
Exercícios práticos
Exibição de Vídeos

Materiais necessários para os exercícios:
Lápis ou lapiseira, compasso, jogo de esquadros

Bibliografia:
. Timeu, Platão
. O Segredo das Catedrais, Pierre-Alexandre Nicolas
. O Poder dos Limites, Doczy
. Geometria Sagrada, Nigel Pennick
. Sacred Geometry, Robert Lawlor
. El Número de Oro, Matila C. Ghyka
. O Simbolismo do Templo Cristão, Jean Hani
. O Simbolismo do Templo, Raimón Arola
. Vida e Mistério dos Números, Francois-Xavier Chaboche
. Construção de uma Catedral, David Macaulay
. Construção de uma Pirâmide, David Macaulay

Vídeos – trechos selecionados:
Chartres Cathedral – A Sacred Geometry
O Olho de Orus – Flor da Vida
Arte e Matemática

Professor:
Edson Tani é mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Mackenzie e graduado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP). Estudou Música, Estética, Filosofia da Arte e Geometria Sagrada com o professor Ricardo Rizek por mais de dez anos. Atualmente, é diretor da Pentagrama Projetos de Sustentabilidade.

Mais detalhes:
TRIOM – Centro de Estudos, Livraria e Editora
Rua Araçari, 218 – Itaim Bibi – São Paulo
fone/fax: 11 3168-8380 -

So Crazy Japanese Toys

crazyOk, lançar este post aqui logo depois de Takeshi Terauchi acho que vai parecer “japonismo” demais para uma semana, né?
Mas, convenhamos, a galera dos antípodas sabe ser Pop como ninguém! Ganhei este livro ontem e, porra, não consigo parar de folhear, ver, ir, voltar e me deliciar com as aberrações kitsch de plástico e borracha que brotam de lá.
Adorei o presente, matrioschka. Te amo.

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